Campanha Carne Legal incentiva o consumidor a questionar origem da carne bovina

O Ministério Público Federal lançou em 1º/6, em Belém (PA), a campanha Carne Legal, pelo consumo consciente de produtos bovinos. A campanha conta com o apoio do Idec e da ONG Repórter Brasil, e tem o objetivo de alertar sobre os problemas ambientais, trabalhistas e fundiários associados à criação de gado e também sobre a importância de os consumidores cobrarem informações a respeito da origem da carne que compram nos supermercados.

A campanha quer chamar a atenção do consumidor brasileiro e estimulá-lo a pressionar supermercados – que por sua vez pressionarão frigoríficos e pecuaristas –, além das instituições do governo, para que garantam que a carne comercializada não está ligada a nenhuma ilegalidade. Além disso, a campanha traz à luz nomes de supermercados, atacadistas, exportadores de carne, frigoríficos e curtumes que resolveram firmar compromissos com o MPF. O site também detalha esses compromissos, disponibilizando, inclusive, os documentos firmados pelas partes. Há, também, uma lista das empresas que ainda não se comprometeram em evitar produtos ou subprodutos bovinos cuja origem seja suspeita.

Para isso foram produzidas peças gráficas, três filmetes de 30 segundos para veiculação na televisão e três spots para rádio. A campanha também está no twitter (www.twitter.com/carnelegal) e no YouTube.

Questionamentos já começaram antes

O Idec vem atuando para que o consumidor receba informações sobre a origem do bife que chega à sua mesa. Entre 2008 e o início de 2009 o Instituto questionou supermercados e frigoríficos para saber se eles faziam controle da cadeia produtiva da carne que repassavam aos consumidores.

Os resultados das duas pesquisas, publicadas na Revista do Idec, demonstraram que há pouca ou nenhuma preocupação das empresas em garantir a origem legal da carne.

Por sua vez, o MPF vem realizando um trabalho de investigação que deflagrou a associação de fazendas com passivos ambientais e trabalhistas a frigoríficos fornecedores de grandes redes varejistas e já resultou em 21 ações civis públicas contra 34 réus. As denúncias levaram os frigoríficos a assinar acordos de ajustamento de conduta com o MPF. Mas, apesar dos avanços, o trabalho está só começando.
Veja as respostas dos supermercados aos questionamentos do Idec em 2009